Capa: @jessicakeli
Texto fanfic: @ValzinhaBarreto
Beta: Daya Engler
Ilustrações: @alexiaaugusto
Música tema: Wonderwall - Oasis
Naquele momento quando avistei Taylor vindo em
direção à mesa, onde estávamos pressenti que não terminaria bem, meu coração
sofreu uma aguda estreiteza além de um toque álgido no começo da espinha.
Minhas mãos esfriaram e um arrepio agourento de que muitos se lesariam naquele
encontro relampejou através de meu corpo.
Ashton estava furioso pela rixa de testosterona
que acabara de ter com o Taylor, mas não era isso que incomodava senão o motivo
pelo qual eu ainda me aventurava em conversar com o Taylor já que não havia
qualquer motivo para sequer uma conversa entre amigos, coisa que nunca
seriamos.
“Vamos embora Ash”. Pedi agarrando-o pelo braço,
mas o terno não permitiu que ele sentisse minhas gélidas mãos em seu braço.
“Nós já vamos”. Disse ele ignorando a chegada do
Taylor e beijando-me, mas eu sabia que o gesto nada mais era que um braço de
guerra. Ash estava demarcando seu território e embora eu não gostasse disso,
não pude repreendê-lo.
Taylor esboçou um sorriso e puxou seu terno para
baixo ajeitando seu alinhamento e, se aproximou com os olhos fixos em mim, mas
fingi não notá-lo.
“Taylor junte-se a nós. Preciso que me forneça a
ficha completa dos olhos azuis aqui”. Pediu Nícolas apontando para Bradley, que
aquela altura estava sentado ao lado de Aléxia.
“Bem, o que eu posso dizer de Bradley Cooper?”
perguntou Taylor como quem faria um breve discurso repleto de notoriedade, com
todos os olhos afoitos focados nele. “Tivemos poucos momentos no set de “Idas e vindas no amor”, mas foram o
suficiente para perceber que ele é um cara integro”. Completou.
“Acho que seu diagnóstico não é válido, achei
muito fraquinho.” Nícolas protestou contrariado “Esse cara pretende levar
Aléxia em casa, então me diga se posso ou não confiar nos olhos azuis com ela?”.
“Nunca vi Bradley em nenhum escândalo, pelo
contrário, sua postura moral é uma das melhores, não é atoa que é o queridinho
de Hollywood”. Respondeu Taylor olhando nos olhos de Aléxia como se tentasse
lhe transmitir confiança.
“Eu ainda não estou convencido”. Nícolas murmurou,
com um sorriso falso.
“Bradley Cooper é o homem mais sexy do mundo
segundo a People Magazine”. Taylor galhofou levando todos à mesa a um breve
sorriso.
“Isso não tem nenhuma influência na minha vida”.
Bradley entrou na conversa.
Aléxia estava apavorada com Nícolas, mas pelo seu
semblante parecia ser Taylor quem ela mais temia. Olhei-a calmamente tentando
sugerir com meu olhar que ela tirasse Nícolas da mesa, mas ela entendeu que
deveria ser retirar e seria sua saída que me levaria a ruína.
“Gente, eu preciso ir,” ela murmurou levantando-se
enquanto Bradley afastava a cadeira para que ela saísse. “Obrigada Ryan pela excelente
conversa. Jennifer, Eduarda, Ashton, Taylor, foi bom ter a presença de vocês,
mas vou aceitar a carona do Bradley e sair para tomar um ar”.
O medo que Aléxia sentia ao ver meu olhar que mais
representava um pedido de socorro fez com que ela sequer olhasse para o loiro
diabólico ou se despedisse dele, deixando-o ainda mais furioso e com a mesa
sendo seu palco perfeito para colocar fim a trama que tanto o incomodava.
Nícolas era transparente, não dissimulava exceto quando lhe convinha e nunca
deixou de dizer o que pensava por afetar ou não alguém.
“Cara, olhe esta mulher”. Nícolas disse apontando
para Eduarda Morais.
“Estou olhando Nícolas,” Taylor comentou sorrindo
“eu a conheço há algum tempo”.
“Isso é verdade, o Sr. Lautner iria fazer um
ensaio este ano, mas me deixou na mão preferindo a Bench”. Eduarda disse com
certa perversão.
“Não foi preferencia, é que eu não queria muito
fazer a edição. O tema da edição, para ser mais claro”.
“Qual o problema da edição?” Perguntou Jennifer
Lawrence.
“O tema da revista era um ensaio com o trio mais
popular de Hollywood, tipo, as três pessoas mais badaladas”. Taylor respondeu deixando
todos da mesa intrigados.
“E por que você não fez o ensaio rapaz”? Perguntou
Ryan confuso.
“Meus fãs não iriam gostar de me ver em um ensaio
numa cama redonda com as outras duas pessoas populares”.
Taylor estava ainda mais enigmático.
“É que as pessoas mais populares do mundo fariam
uma sequencia de fotos em uma cama redonda, Taylor Lautner, Taylor Swift e
Ashton Kutcher”. Eduarda esclareceu.
“Na verdade, somente Swift incomodaria meus fãs.
Este último me incomodaria pessoalmente”. Taylor cutucou Ashton, que se
mostrava cada vez mais tenso.
“O Sr. Lautner tem um carma,” Ash se expressou
calmamente, mas podia sentir a fúria silenciosa por detrás de seu tom sereno “geralmente
suas mulheres findam apaixonando-se por mim”.
“A quem se refere?” Perguntou Taylor, com um olhar
sombrio como se já soubesse sobre o que, ou melhor, a quem ele se referia.
“Eu me refiro ao seu primeiro amor, Sara Hicks,
deve ser horrível ser o ator favorito de muitas garotas e eu ser o favorito da
sua garota”. Ashton disse, surpreendendo-me por estar a par sobre os boatos e
saída de Taylor e Hicks em jogos de vôlei em Phoenix.
Taylor ao contrário de mim, não escondeu seu
espanto por Ash estar por dentro dos rumores a seu respeito, olhando para
Ashton de uma forma séria, por um momento seus olhos arraigava-se raiva e um
furor inquestionável, porém ele nada disse.
Nícolas adorava o espetáculo e mal podia esperar o
momento de extravasar sua raiva pela saída de Bradley com Aléxia.
“Taylor, você está pronto para outra noitada?” Voltando-se
a Taylor, ele questionou incisando outro rumo a conversa e destinando-a ao desastre
que desejava.
“Ainda não me recuperei da última Nícolas e não
sei se estarei pronto tão breve,” Taylor olhou para mim “da última vez não deu
muito certo”.
Ashton pareceu intrigado por saber que houve uma
noite e discretamente manteve sua atenção em Nícolas, que não parou somente na
indireta.
“Relaxa cara, qualquer coisa você pode dormir em
casa novamente. Sally não se importará de cuidar de você outra vez. Só peço que
durma no sofá e não na cama com ela.” Nícolas destilou seu veneno, levando-me ao
desespero, perda da voz e dos movimentos do meu corpo. “Gosto de você, cara.
Sou seu amigo, mas Sally é minha irmãzinha e eu tenho que zelar por ela”.
Meus olhos agora estavam concentrados no Taylor, e
confesso que nunca o imaginei fazendo algo do tipo. Ele sabia onde tudo iria
terminar, então falou:
“Certamente, mas dessa vez não irei pedi-la em
casamento, ela disse não da última vez”. Revelou Taylor encorajando Nícolas a
por fim ao desconhecimento do Ashton sobre o assunto.
Todos
estavam surpresos com a revelação de que Taylor e eu nos conhecíamos, inclusive
Eduarda que estava em estado de choque com o caso.
Ashton que estava furioso agora atinara pelo
desmoronar do seu mundo e sua decepção estava estampada em seus olhos.
“Como?” Ashton inquiriu tentando disfarçar sua
exaltação.
Ele estava furioso e parecia já ter ouvido o
bastante, mas não era o momento para aquela conversa e nem pensei que a teria
ao ver seus olhos fervendo de tanta raiva, consumindo-o de uma forma tão
degradante.
Percebendo a intenção de Nícolas fiquei completamente
estarrecida, irada. A raiva havia tomado conta de mim, pois eu sabia que
aquelas palavras ditas de maneira tão tortas tornava tudo mais drástico, mais
feio e errado do que realmente era.
“Então, boa noite a todos, eu preciso me retirar
agora”. Ashton despediu-se elegantemente, com toda a discrição e categoria que
lhe era característica.
Eu o vi se afastar sem sequer olhar para mim.
O clima ao redor da mesa havia se transformado no
mais completo silencio fúnebre e eu permaneci sentada por um breve momento,
estupefata, chocada e desejando que nada daquilo tivesse acontecido. Mas agora
parecia inútil desejar que não fosse verdade, quando tudo era explícito e minha
vergonha tomara conta do meu ser instantaneamente.
O meu surto de retraimento desapareceu quando
fitei meus olhos em Nícolas, que me olhava como se estivesse me libertando de
uma possessão, eu parecia ouvi-lo dizer: “é melhor assim”, mas ele apenas me
observava, com seu olhar vazio e temeroso.
Eu os odiei
como nunca havia feito antes. Nícolas por mais uma vez colocar fim a qualquer
chance que eu tivesse de ser feliz, com sua língua maldita. E Taylor por ser
tão cruel entrando na jogada dele e ferrando minha relação com o Ashton.
Os dois imbecis haviam ferrado completamente
comigo e eu sentia vontade de virar a mesa sobre o Taylor ao ver sua expressão
resignada, causando-me uma repulsa.
Levantei da cadeira furiosa, possuída por um
sentimento de ira, mas antes os olhei por alguns segundo, tentando controlar meus
pensamentos raivosos, tentando evitar um escândalo.
“Você é um
completo imbecil Nícolas.” Disse me aproximando para que somente ele ouvisse e
sentisse minha agressividade vinda à tona de forma assisada, necessária dada à
ocasião.
“Sally, eu...”
Nícolas tentou se defender.
“Eu odeio
você”. Cortei-o levando meu olhar para Taylor, transferindo a ele toda a
decepção que eu sentia, não somente em meus olhos como nas palavras também
antes de sair à procura de Ash “Nunca pensei que você seria tão estúpido e
covarde a este ponto, sinceramente Taylor, você se superou mais uma vez”.
Não permiti que Nícolas ou Taylor dissesse algo a
favor deles, a única coisa que eu queria era olhar para Ashton e ter aquele seu
olhar amável dedicado a mim.
Eu o procurava alucinantemente desejando
encontrá-lo, mas eu mal conseguia me mover entre as pessoas. Sentia-me cada vez
mais atordoada ante a tantos homens que usavam terno preto, contive meu
desespero e contive as lágrimas que ameaçavam descer, e mantive minha postura
na frente das pessoas para que ninguém notasse algo irregular.
Encontrei-o com um semblante desolado enquanto
aguardava a chegada do manobrista com seu carro, havia muitos fotógrafos e
muitos holofotes estavam focados em nós, mas me aproximei tranquilamente para
que nenhuma tensão fosse notada.
“Por favor,
vamos conversar?” Perguntei discretamente tocando em seu ombro, mas Ashton nada
disse, sequer olhou em minha face. “Por favor, Ash, me deixe explicar como
aconteceu”. Insisti vendo-o enrijecer sem se importar com uma palavra sequer. “Você
precisa me ouvir... Depois de me ouvir, eu aceitarei seu desprezo, mas me deixe
explicar com minhas palavras”.
“Entra”. Ele disse abrindo à porta do carro para
que eu pudesse entrar, colocando fim ao suspense de horror.
Ashton estava acabado, olhei-o por diversas vezes
procurando algo para dizer, mas ele estava tão tenso que não pude dizer nada.
Tomada pela angustia de não sair nada que pudesse me defender, fiquei olhando-o
tenuamente enquanto buscava forças para lutar por ele.
Ashton mantinha as mãos no volante e parecia não
estar concentrado no trânsito, e sim dirigindo automaticamente, eu nada fiz
apenas desejei encontrar alguma forma de esclarecer o que houve.
Achei que ele me levaria em casa, mas ele estava
tão perturbado que seguiu para sua casa no intuito de apenas colocar fim ao
constrangimento que ele sentia. Ashton jogou a chave do carro em cima da mesa e
sentou-se no sofá com uma das mãos sob a cabeça, ele estava profundamente
triste, e finalmente, encorajei-me para me desculpar.
“Ashton, eu sei que errei e você tem toda razão de
nunca mais olhar para mim.” Justifiquei, antes que ele me interrompesse.
“Cala a boca Sally.” Sua voz era baixa, apenas um
sussurro, porém rude o bastante para me assustar por ouvi-lo dirigir aquelas
palavras a mim.
“Eu não vou calar até você me ouvir”. Enfrentei-o.
“Ouvir o que? Ouvir agora? Não acha que esta um
pouco atrasada?”
“Sei que estou, mas não fiquei com ele, eu não
seria capaz disso”.
Ele se levantou, sua voz alterando-se enquanto seus
olhos me fuzilavam.
“Você me fez de idiota Sally! Você me fez o
palhaço de quem aquele miserável estava rindo”.
“Ele não podia ter feito aquilo Ash, eu sei disso.
Mas ouça, nada aconteceu, eu juro.” Acrescentei rapidamente “Nícolas e ele
saíram para comemorar o aniversário dele, chegaram no hotel de madrugada e
bêbados. Nicolas não conhece L.A, não sabe onde ele mora e eu também não. Não
podia deixá-lo dirigir no estado em que estava, seria muita irresponsabilidade”.
Tentei aproximar-me, mas ele se afastou, sua
postura rígida deixando claro que ele não me queria por perto.
“Foda-se, agora não importa, nada mais importa. Eu
simplesmente nem consigo acreditar em como fui tão imbecil confiando em você”.
“Não, não Ashton, importa sim, pelo menos para mim
importa. Eu nem peço que me perdoe, apenas peço que acredite quando eu falo que
não houve nada demais quando ele dormiu lá no Hotel. Foi só isso.” Supliquei
“Foi errado tê-lo deixado dormir em meu quarto, na cama, mas juro que não houve
nada. Tem que acreditar em mim”.
“Eu estou com nojo de você. Sabe... Só em pensar
em vocês dois juntos, rindo pelas minhas costas, e não me venha com esse papo
que não rolou nada com aquele infeliz, porque eu não vou mais ser enganado
garota”.
“Não seja tão rude Ashton, eu imploro que não
pense isso de mim”.
“O que você quer que eu pense? Que vocês jogaram
poker a noite toda? Aquele desgraçado sequer deveria ter passado pela porta se
você, Sally, tivesse o mínimo de consideração por mim”.
“Você está certo. Eu sinto muito Ashton, errei em
tê-lo deixado dormir em minha cama, mas entenda que não podia mandá-lo pra casa
quando ele mal se aguentava em pé e não houve nada além disso”.
“Sério Sally? Como pode ser tão ingênua assim?”
Pisquei atordoada “O problema aqui que você finge não ver, é o desrespeito que
você teve comigo, Sally. Você mentiu pra mim quando o que eu fiz foi somente te
ajudar. Me fez de otário, não ele. Apenas você”.
“Por favor,
Ash, eu tive medo de te perder, por isso não contei”.
“Não pensou
que seria pior se eu descobrisse por boca de terceiros? Onde foi parar sua
consideração por mim? Você pensou apenas em você,” seus dedos correram por seus
cabelos enquanto ele soltava um riso breve; duro. “Você leva-nos tão a sério,
não é, Sally?
“Que droga, eu só omiti porque sabia que você não
iria gostar, foi ingênuo da minha parte achar que tudo isso não fosse relevante.
Mas não use esse tom comigo, não aja como se não me conhecesse mais. Eu nunca
trairia você, não seja estupido”.
“Estupido eu? Sally me faz um favor? Desaparece
agora!”
“Espera, por favor,” implorei vendo-o subir as
escadas.
“Não!” Ele gritou ao subir o último degrau.
O que eu fiz foi ridículo, nada do que poderia ter
acontecido antes se comparava ao estrago que estava feito, era uma tragédia a
forma como tudo havia acontecido.
Sentia um arrepio tomando conta do meu corpo e
centenas de pequenas dores em meu coração, meus sonhos estavam vazios e minha
consciência transformou tudo que Ashton e eu havíamos vivido em solidão.
Em completo caos, finalmente eu pude chorar ao
pensar em todo o estrago que eu havia causado por pura estupidez e egoísmo.
Minha decepção não podia ser medida. Inicialmente
Nícolas havia me decepcionado ao revelar aquilo de uma forma tão dura, mas a
parcela de culpa maior era minha, fui eu quem escolheu não contar.
Eu escolhi fingir e Ashton me via agora como
alguém que só contava mentiras.
Meu coração estava em chamas e a imagem do Taylor
se divertindo com minha tragédia tornava tudo o que sentia desesperador.
Aquela havia sido uma conversa vazia, cheias de
palavras vazias e o rancor ocupava uma boa parte desse vazio fazendo toda a dor
mais intensa, não só para mim, mas para Ashton que não merecia enfrentar esse
tipo de sensação.
Uma parte de mim entristeceu por não ter certeza
de que Ashton havia acreditado na minha integridade, eu omiti um fato, mas nada
faria com que eu tivesse qualquer envolvimento com o Taylor mesmo face ao amor
sincero, que não cabia mais em meu coração.
Sai na rua, meu vestido arrastava pelo chão, minha
maquiagem se desafez junto com as lágrimas que minavam como em uma corredeira
desgovernada. Era doloroso e eu só sentia vontade de fazer com que toda aquela
confusão terminasse.
Ao pegar um taxi não notei minha chegada até o
motorista avisar que tínhamos chegado ao destino final.
“Você está
bem?” A voz que eu menos queria ouvir naquela noite soou na penumbra da sala
assim que entrei.
“Que droga você faz na minha casa?” vociferei vendo
Taylor em pé na sala, com um aspecto de preocupação um tanto perturbada.
“Estava preocupado com você”.
Uma onda densa de fúria lambeu minha pele enquanto
minhas mãos se apertavam em punhos ao lado do meu corpo.
“Esta preocupação veio antes ou depois de você ter
me humilhado em público?”
“Perdão Sally. Eu realmente sinto muito..., nem
sei por onde começar”.
“Comece saindo por aquela porta e não voltando
nunca mais”.
“Não vou sair,” ele talhou firme se colocando em
minha frente. “Magoar você tem sido um hábito e nem sei se um dia você vai me
perdoar por isso. Mas saiba que eu fiz aquela merda com o Nícolas por impulso,
foi involuntário, quando vi as palavras já tinham saído,” ele balbuciava as
palavras “eu sabia que era errado, mas não pude me controlar. Sinto muito”.
Como ele podia ser tão cruel e tão doce ao mesmo
tempo?
“Eu não quero ouvir nem mais uma palavra, se quer
me fazer uma coisa boa ainda nessa vida, apenas desapareça”. As palavras
deslizaram por meus lábios, com o sabor do fel e duras como aço.
Ele me olhou com a face contorcida num misto de
arrependimento e desespero que julguei ser falso. Suas mãos balançaram em minha
direção tentando me alcançar, mas eu me encolhi e dei um passo atrás.
“Desculpe-me Sally, eu verei uma forma de arrumar
isso. Eu prometo que farei o que puder para me redimir”.
“Sem redenção Taylor. Não há nada que possa fazer
por mim exceto sair daqui antes que eu perca a cabeça de vez. Estou no meu
limite então não me empurre mais”.
“Perdoe-me Sally, eu provoquei tudo isso e sei que
é tarde, mas eu não queria lhe prejudicar, eu só estava extravasando minha
raiva”.
“Raiva por quê? O que diabos você quer de mim? Eu
te dei todas as chances e você chega à minha vida bagunça tudo, e então, vai
embora com o mesmo papo de que não pode ficar comigo. Vai à merda Taylor!”
“Não é papo Sally, é a verdade. Quando você vai
entender que eu não posso ficar com você?” Taylor exasperou gesticulando
impacientemente com suas mãos.
“Quem disse que eu quero? Mesmo se hoje você
quisesse Taylor, eu não quero ficar com você. Não importa a crueldade com que
você fodeu com meu relacionamento, é uma escolha minha. Sou eu quem não te quer
mais”.
“Então é isso Sally, é só isso?” Perguntou ele
sentindo o aspecto fúnebre que tomava conta da sala enquanto eu segurava para
que as lágrimas não viessem aos olhos.
Desviei-me dele indo até a porta, segurando esta
aberta para ele.
“Saia da minha casa agora”.
Observei-o passar a mão em sua face e sair como se
fosse chutar tudo que via pela frente. Então fechei a porta com um baque surdo.
Meu coração transbordava de raiva e de dor. E, nada
podia aliviar naquele momento. Perguntei-me por diversas vezes o porquê de eu
ter sido tão idiota em ter cuidado dele e não ter contado a Ashton.
Foi a escolha que eu fiz, uma bem estúpida, e
agora eu estava arcando com as consequências.
Tentei assimilar tudo que havia acontecido, mas
minha mente conturbada não pensava com clareza. Finalmente em pleno caos com a
traição de Nícolas, com a crueldade do Taylor e com a descrença de Ashton
renunciei a postura dura que havia adotado, e após explosões de sentimentos
senti as lágrimas rolarem finalmente.
Andei pela casa vazia fazendo o caminho até meu
quarto sem a mínima vontade de pronunciar uma palavra que fosse.
Deitei na minha cama perdida. Contudo, pude ouvir
Alexia chegar, mas mesmo com sua insistência em falar comigo fingi não ouvir a
batida na porta e continuei sendo consumida por aquele sentimento ardente, e
meus pensamentos foram tornando-se cada vez mais longe. Eu estava consumida por
um sentimento de raiva e entendia cada vez mais que o meu jeito de ser apenas
fazia com que me prejudicasse ainda mais.
Não estava dando certo esta minha maneira de ser e
pelo golpe que eu havia levado, e dado em Ashton me fazia refletir sobre o que
me esperava nessa nova vida que eu havia escolhido.
Ninguém pode ser tão bom, todos somos corrompidos
em algum momento; seja escondendo uma verdade ou concordando com algo
aparentemente errado. Mas o fato é que a escolha que fazemos faz toda a
diferença, e mesmo drasticamente a sinceridade ainda continua sendo um dos
pilares que devemos estabelecer nas nossas relações.
As palavras que Taylor me disse desabaram comigo
por um segundo, mas havia muita verdade nelas, e nas palavras de Ashton eu pude
notar o tipo de imagem que eu não queria passar.
Eu não queria ser uma pessoa de caráter duvidoso,
eu nunca dizia o que pensava e sempre ocultava as coisas a fim de não fazer
mal, só que quando ocultamos algo de alguém, o privamos da sua escolha, da sua
capacidade de justiça ou julgamento.
O que eu fiz foi errado e foi algo que ninguém
está apto a fazer, eu errei feio ao esconder do Ashton que Taylor havia dormido
na minha casa, eu errei em tê-lo deixado entrar, errei quando achei ingenuamente
que Nícolas não usaria isso como uma arma.
Mas isso, apesar de doloroso, era um tanto
libertador.
Ashton sabia sobre tudo e me odiava, mas eu, porém
apesar de toda dor e culpa sentia-me livre por não ter nada mais a esconder.
Naquele instante em que tentava dar lugar a algo bom que pudesse ter acontecido
de toda essa confusão, atinei por meus pensamentos envoltos, senti cada um se
desfazer como uma neblina invisível e como uma luz que se apaga apenas adormeci
rendendo ao cansaço, que havia me sugado.
Levantei pela manhã com o cheiro do café, o loiro
diabólico arrumava a mesa como se sua ação o pudesse redimir por haver
destruído minha vida. Nícolas olhou-me amedrontado, sério e sigiloso, notei que
ele parecia estar a par de tudo em sua conversa com Aléxia, talvez para se
preparar.
“Bom dia Sally?” Cumprimentou ele constrangido,
mas eu o ignorei e nada respondi. Silencio era tudo que eu tinha para dar a aquela
criatura. O problema de Nícolas é que ele não sabia quando se calar, não sabia
reconhecer os sinais básicos de ‘afaste-se’ e com isso ele novamente tentou: “Sally,
eu preciso falar com você”.
“Vai para o inferno seu desgraçado!” Explodi
batendo na mesa, levantando tudo que havia como se a gravidade estivesse
presente.
Seus olhos cresceram enormes e suas mãos se
levantaram em um gesto de paz.
“Fica calma, eu errei okay?”
“Eu quero que você se foda Nícolas e bem longe de
mim”. Gritei levantando-me da mesa. Nada mais desceria ao menos não na frente
dele.
Nicolas definitivamente não esperava uma reação
tão possessa da minha parte, e pela primeira vez, o vi sentir medo de mim.
“Desculpe-me, sei que já errei várias vezes e já
pedi desculpas, mas eu prometo Sally que essa foi à última vez que você foi
prejudicada por algo que eu disse”.
“Você errou? Você foi um imbecil arrogante que
ferrou com a minha vida sem um motivo sequer. Minha vida não é da sua conta.
Ashton e Taylor são problemas meus. Vá para o inferno Nícolas. Eu nunca me meti
com as vagabundas com quem você se envolve, eu nunca me meti na sua vida”.
“Eu sei... Eu não sei o que deu em mim Sally, as
palavras saíram da minha boca e quanto notei o estrago estava feito”.
“Você está fora de controle e eu estou cansada da
sua ironia. Estou farta desse seu sarcasmo, desse ceticismo tolo, estou farta
de você Nícolas”.
“Eu também estou cansado de mim e dessa minha
arrogância, mas eu não sei como parar Sally. Eu não sei como agir quando algo
não está como eu quero, simplesmente fodo com tudo porque parece a melhor ideia
no momento”. Disse Nicolas atordoado, ele buscava palavras para se expressar
enquanto eu apenas sentia vontade de esmurrá-lo. “Sally, por favor, me perdoa
só dessa vez? Eu prometo que nunca mais vou constranger você dessa forma”.
“Eu não perdoo você Nícolas. Você não merece meu
perdão. Estou cansada de ter essa conversa,” avisei gesticulando um basta com
minhas mãos “eu só não quero falar com você, não quero ouvir sua voz”.
“Perdoe-me, por favor, eu juro, eu prometo, eu
faço um compromisso com você Sally. Eu nunca mais vou me meter na sua vida”. Disse
Nícolas se aproximando de mim, fazendo meu copo já cheio transbordar.
“Eu vou matar você Nícolas!”
Não sei como ocorreu, somente sei que num momento
ele estava se aproximando e no outro eu estava em cima dele esmurrando seu
peito. Alexia que apenas observava interviu afastando-me de cima dele evitando
que lhe desses mais golpes inofensivos, porém furiosos em seu peito. Ele apenas
os aceitava reconhecendo que merecia de fato uma surra.
Deixei-os e fui para meu quarto, tão logo entrando
debaixo do fluxo forte de água, lavando minha irritação e indignação.
Não queria voltar à mesa, mas meu estômago roncava
alto.
Montada numa paciência quase escassa, eu regressei
a mesa do café e olhei finalmente nos olhos de Nícolas, que me observava
querendo puxar conversa novamente.
“Você se sente melhor?”
“Não fala comigo!”
“Perdoe-me por ontem Sally, não gosto de te ver
assim. Eu não gosto do Ashton, eu não gosto do cara, mas eu não deveria ter
feito aquilo”.
Inspirei profundamente e lhe disse:
“Nícolas, você foi cruel, vocês dois foram
cruéis”.
“O que Taylor disse quanto esteve aqui?”
“Não interessa”.
“O que?” Meus olhos flamejavam para ele, então ele
acrescentou sério e estonteado “Tudo bem Sally, você está certa. Eu errei e não
posso mudar isso, mas posso me afastar de você novamente para não foder com a
sua vida de novo”.
“Você precisa me respeitar Nícolas. É isso que
você precisa fazer, pois caso ao contrário terá que sumir da minha vida de uma
vez por todas.” E dei o ultimato “Ou você se adéqua, ou não irei querer ficar
perto de você”.
“Você está coberta de razão Sally, eu agi de uma
forma louca e nem sei por que, eu estava com raiva pela saída da Alexia, com
aquele velho e eu pensei no que ele poderia fazer com ela..., tantas coisas
asquerosas e tudo passava na minha mente me deixando com raiva”.
“Você não tem nada a ver com a minha vida ou com a
da Alexia, você faz o que quer da sua, então, por favor, deixe que nós façamos
o mesmo”.
“Tudo bem Sally, não vou mais me meter. Mas
preciso evitar que vocês façam merda”.
Até mesmo ele estranhou tais palavras proferidas
por seus lábios.
Coloquei meus olhos em brancos, descrente da sua
atitude honesta.
“Você não tem moral para falar nada, você nunca
fez nada certo na sua vida”.
“Eu sei disso Sally, mas eu não quero mais ser
assim”.
Terminei meu café e me levantei, mas antes de sair
reafirmei minhas palavras.
“Então Nícolas, vou te dar essa última chance de
mudar ou você estará em um avião de volta para o Brasil, e não nos veremos
nunca mais”.
Ele olhou-me mais acomodado e completou “O que
houve com Ashton, com Taylor, vamos conversar Sally”.
“Estou saindo, tenho uma reunião de trabalho e não
tenho hora para voltar”.
“Reunião onde?” Inquiriu Alexia pela primeira vez
naquele dia.
“Eduarda vai me recomendar alguns empresários e
agentes para cuidar da minha carreira, não creio que posso administrar as
coisas com a proporção que isso ganhou”.
“Boa sorte na escolha”. Desejou Alexia nervosa com
meu surto e agressão ao Nícolas que suspirava forte ao me observar sair pela
porta.
Eu estava sem o Taylor. Sem o Ashton. Estava sem
nada além da minha carreira. Então resolvi me dedicar a esta última.
Não era por ninguém, mas por mim mesma. Não queria
me permiti sofrer ainda mais pensando incessantemente no que havia acontecido.
No caminho até a Ford Models tentei falar com
Ashton, mas ele se recusava a atender e isso me deixava cada vez mais
desesperada.
Eduarda me apresentou alguns agentes e empresários,
após uma conversa formal com todos os candidatos recomendados por ela, gostei
muito das ideias de Jensen Malsine, parecia ser uma excelente opção como
empresário, quanto à escolha de agente fiquei indecisa entre Kevin Olsen e
Peter Adams, mas seguindo as recomendações de Eduarda fiquei com Kevin.
A semana seguinte à festa da Vanity Fair havia
sido um fracasso para minha vida pessoal, mas pelo menos alguém tinha ganhado
algo bom, era notória a afinidade entre Bradley e Alexia que se viram praticamente
a semana inteira após a festa pós-oscar.
Ela estava radiante e não tirava o celular do
lado. Eles sempre saiam para caminhar bem cedo e na semana seguinte fizeram
reuniões sóbrias para falarem sobre política, Paris entre outras coisas. Bradley estava fascinado com o francês de Aléxia
e sempre o via fazer citações em Francês dos seus livros favoritos, os dois
compartilhavam a mesma paixão parisiense: artes; cinema; música e moda.
Bradley parecia encantado com a inteligência
suprema de Alexia e sua desenvoltura em qualquer que fosse o assunto debatido
entre eles, Jennifer Lawrence e David O’ Russel.
A festa foi um pesadelo, mas em compensação foi um
verdadeiro impulso em minha carreira. Eu havia sido considerada a mais sexy
pela Glamour; a mais bem vestida na maioria das revistas e sites sobre moda. Alguns
estilistas comentaram sobre meu vestido e grandes maquiadores de Paris
publicaram artigos ensinando como se maquiar como eu.
Eu me tornei a mulher mais desejada do mundo
segundo o público masculino ao lado de Ryan Gosling como sendo as pessoas mais
desejadas para o sexo. Em um espaço de apenas 10 dias venci todas as enquetes e
liderei todas as top lists das quais fui nomeada.
Kevin conseguiu uma boa proposta e assinei mais um
contrato para um desfile da Victória Secret e, posei para Teen Vogue, Seventeen
e também fui capa de algumas revistas brasileiras.
Os contratos para propagandas em vários comerciais
para a TV estamparam meu rosto em outdoors e billboards por toda a Califórnia.
Após o sucesso da música Litlle House no You Tube
fiz uma versão com uma orquestra e gravei um clipe, o sucesso e repercussão do
vídeo foi tão grande que um dos produtores do musical da Broadway “Os
miseráveis” prometeram ao Kevin que tentariam conseguir uma participação no
espetáculo em julho, assim que terminasse a temporada do Group Blue Mans. Esta
era minha chance de fazer minha primeira viagem à Nova York, apesar de ainda
faltar muito tempo e de não ser certeza, fiquei feliz apenas em poder sonhar
com essa participação e com a viagem.
Mas todos imagináveis acontecimentos na vida e a
guinada que ela deu nos últimos tempos, a cada passo acima na grande escadaria
de Hollywood, nada daquilo era o suficiente para me fazer esquecer Taylor e
minha culpa por partir o coração de Ashton.
Eu sentia falta do Ashton e não conseguia parar de
pensar em Taylor quando estava sozinha.
Minha vida realmente tinha mudado. O engraçado é
que não era somente eu quem tinha mudado, mas os que conviviam comigo
diariamente. Nícolas estava desconfiado das saídas de Alexia, mas como ele
havia prometido não se meter a única coisa que fazia era ficar com a cara feia
e dar um e outro corte sempre que ficava aparentemente sozinho na sala com
Bradley. Mas isto era o de menos quando ele realmente estava tentando valer sua
palavra.
Estávamos na calçada da fama terminando um ensaio
fotográfico cansativo de horas a fio, para uma grife renomada quando ouvi os
burburinhos. Não demorou nada para que eu soubesse o quê, ou melhor, quem era o
motivo do alvoroço entre as monas e as assistentes ali presentes.
Ashton Kutcher.
Ele entrou em meu campo de visão e me deu um aceno
curto com a cabeça em cumprimento, e então, ficou lá, parado observando-me
enquanto eu terminava de tirar as últimas fotos. Assim que a equipe deu o
trabalho finalizado, fui até Ashton.
A face dele estava calma, seu semblante tranquilo
e por alguns segundos senti a paz que eu precisava.
“Olá Sally”. Ele disse após observar minha
descrença e falta de palavras ao vê-lo ali.
“Oi Ash, há quanto tempo. Como você está?”
“Estou bem e você? Como anda a vida, a carreira,
como anda tudo?”
“Estou sobrevivendo, minha vida está do mesmo
jeito, a carreira parece ir bem, sobre tudo não sei o que dizer”.
“Então não diga nada”. Ashton disse tranquilamente.
Olhamo-nos em silêncio por um breve momento.
“Eu vou me trocar e já venho”.
Ele concordou e eu saí. Um momento depois eu
estava de volta.
“O que você faz aqui?”
Não queria ser rude, mas estava surpresa com sua
visita inesperada após tanto tempo depois, bem, depois do desastre na festa
pós-Oscar.
“Soube que estava aqui..., então cá estou”. Sorri
moderadamente sem saber o que dizer, mas Ashton tomou a dianteira quebrando um
pouco daquele gelo entre nós “Você está entre as 10 modelos mais bem pagas, não
tem do que reclamar”.
“Graças a você Ash”.
“Eu dei um empurrão Sally, mas não sou a causa do
seu sucesso”.
Mirei seus olhos.
“Eu nem sei como de desculpar”.
“Eu também te devo desculpas Sally”.
“Eu ocultei a verdade de você Ash”.
“Não foi só culpa sua Sally, eu sou sério demais e
isso faz com que as pessoas tenham medo de mim, foi isso que você sentiu, o
medo não deixou que você confiasse em mim o bastante para se abrir”.
“Você é o melhor que aconteceu na minha vida”.
“Obrigada, mas acho que você ainda vai ter muitas
experiências, mas saiba que eu acredito em você”.
“Você acredita que não houve nada entre ele e eu?”
“Sim, o próprio cara me procurou em sua defesa,
disse que estava bêbado. Eu não gosto dele, mas acho que ele não se humilharia
ao ponto de defender você se não fosse verdade, foi desnecessária a defesa
dele”.
Meus olhos quase saltaram no chão.
“Taylor procurou você?”
“Sim, ele foi defender você, mas deixei claro que
não precisava”.
“Obrigada por me entender Ash, isso torna tudo
mais fácil”.
“Eu me precipitei Sally, eu estava carente e eu
sabia que você ainda não estava pronta. Eu devia ter esperado, tudo ainda
estava muito delicado e ele estava muito presente, a culpa dessa confusão não
foi só sua”.
“Eu errei Ash, e peço perdão mais uma vez”.
“Também peço pela parte do meu erro, pela minha
raiva e ego temperamental, eu só queria ficar sozinho. Mas não tinha o direito
de tratá-la como tratei”.
“Você está bem mesmo?”
“Sim, estou um pouco ocupado, vou viajar novamente
semana que vem. Espero que nos vejamos mais vezes”.
“Eu também espero”.
“Okay, foi bom ver você”.
Ele me abraçou, se despedindo.
“Acabou mesmo Ash? Eu e você nunca mais?”
Ele me olhou, com um olhar doce e um sorriso
afável.
“Nunca mais é muito tempo Sally, mesmo assim, boa
sorte em tudo”.
“Boa sorte a você também”.
Vi Ashton desaparecer entre os assistentes que
seguiam ali guardando os equipamentos e desejei nunca ter feito mal a ele.
Eu me sentia mais em paz comigo mesma após a
conversa com Ashton.
Nós tínhamos voltado ao status de amigos, apenas a
velha e boa amizade sem a cor que tanto me fazia falta.
A revelação dele sobre a procura do Taylor em
esclarecer as coisas me intrigaram bastante. Taylor nunca fora orgulhoso, mas
essa certamente havia sido a melhor coisa que ele havia feito por mim.